domingo, 2 de dezembro de 2007

Reuters Desrespeita a Proibição de Divulgação de Pesquisas de Boca de Urna na Venezuela

A agência de notícias Reuters desrespeitou a proibição de divulgação de pesquisas de boca de urna acerca do referendo na Venezuela antes da divulgação do primeiro boletim oficial.

Segundo a agência, três pesquisas de boca de urna, cujos números não foram revelados, apontam uma vitória do “Sim” por uma margem de aproximadamente 8 a 10 pontos.

Para tentar legitimar sua atitude, a agência atribui as informações a membros do governo, cujos nomes também não revelou.

Votação no Referendo Venezuelano se Encerra Sem Conflitos

Com Informações de Globovision

Encerrado o processo de votação do referendo sobre a reforma constitucional na Venezuela, foram registradas apenas 45 detenções, sem ocorrências que comprometessem a votação ou o direito de voto dos eleitores. Foram registrados problemas também em aproximadamente 70 máquinas de votação, que foram prontamente substituídas por outras em perfeito funcionamento, tendo ainda sobra de máquinas para reposição até o encerramento dos trabalhos das mesas de votação.

Por medida de segurança, estão suspensas as reuniões públicas. Tal medida foi tomada para impedir qualquer possibilidade de desenvolvimento de qualquer plano de desestabilização, como o anunciado por setores oposicionistas, sobretudo as declarações da liderança do partido Premero Justicia, ou os planos divulgados da operação Tenazes.

Principais lideranças dos dois Blocos adversários demonstram tranqüilidade com o desenvolvimento da votação e a atuação da fiscalização e do CNE.

Sem registros de qualquer ocorrência, é comentário geral que o referendo, qualquer que seja o resultado, foi uma vitória da democracia venezuelana, que estaria dando “uma lição de democracia ao mundo”.

Com a proibição de divulgação de prognósticos sobre o referendo antes do anúncio do primeiro boletim a ser emitido pelo Conselho Nacional Eleitoral, fica a expectativa acerca do resultado. Entretanto, é possível que as primeiras parciais sejam divulgadas nas próximas horas, sendo possível conhecer o resultado final até a manhã desta segunda feira.

Com o anúncio do presidente Chavez e de setores da própria oposição, que prometeram reconhecer qualquer resultado do referendo como legítimo, aliado à ausência de qualquer confronto durante as votações, espera-se que o anúncio final transcorra sob a mais absoluta normalidade. No entanto, espera-se uma comemoração de grande euforia por parte do bloco defensor da proposta que saia vitoriosa do referendo, em razão da grande mobilização popular dos últimos dias e da grande participação e entusiasmo dos eleitores durante o referendo.

Independente do resultado, o referendo venezuelano já faz parte da história da democracia mundial, como um marco importante da democracia popular e participativa, do protagonismo popular no exercício do poder.

O Presidente Chavez felicitou o povo venezuelano pela jornada eleitoral e disse que acatará os resultados, sejam quais forem

O Presidente Chavez felicitou o povo venezuelano pela jornada eleitoral e disse que acatará os resultados, sejam quais forem.

O Presidente da República, Hugo Chavez, ao exercer seu direito de voto, felicitou o povo venezuelano pela jornada desse domingo e assegurou que acatará os resultados, sejam quais forem.

Afirmou o Chefe de Estado que o processo eleitoral, por si mesmo, é uma grande vitória para a pátria.

Ressaltou que o processo é muito rápido e seguro.

Declarou que a Constituição não pode ser modificada em nada sem uma consulta ao povo e que será cumprida a decisão popular, que os derrotados aceitem o resultado para seguir vivendo em paz.

População Venezuelana Contraria Discurso Terrorista da Oposição

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A votação no referendo sobre a reforma constitucional na Venezuela prossegue sem maiores incidentes. A população compareceu em grande número aos locais de votação horas antes da abertura do processo eleitoral, sem registro de qualquer tumulto ou confronto entre partidários do “sim” e do “não”.

Está havendo um pequeno atraso no processo de votação, o que tem gerado algumas filas, em razão da captação conjunta de votos por meio eletrônico e impresso. Apesar disso, não há registro de descontentamento da população, que vê a dupla captação do voto como uma garantia absoluta de lisura no resultado final do referendo.

O processo de votação que, segundo o Conselho Nacional Eleitoral, é absolutamente seguro e à prova de fraudes, é apontado por observadores e por setores da própria imprensa, como uma demonstração de fortalecimento e uma vitória incontestável do CNE.

Registra-se a participação de fiscais e partidários do Bloco do “Sim” e do Bloco do “Não” em todas as mesas de votação, sem que nenhuma denúncia tenha sido encaminhada à fiscalização geral do referendo até o momento.

Segundo o diretor geral da emissora de TV oposicionista, Globovision, a população tem comparecido aos locais de votação e exercido o seu direito de voto com absoluto entusiasmo, independente do lado pelo qual estão votando. Ainda segundo o diretor da emissora, que deu suas declarações a partir de um dos principais locais de votação, parece que a população entendeu a importância do seu voto, que esse referendo, independente do resultado, será uma grande vitória da democracia.

Segundo o CNE, o comparecimento aos locais de votação é massivo, demonstrando um grande interesse da população pelo referendo, o que contraria as previsões de analistas dadas até uma semana antes da votação. Para o CNE, esse é um importante passo no processo de consolidação da democracia na Venezuela.

Autoridades, personalidades e partidários de ambos os blocos, desde o início da manhã, estão conclamando a população a votar. Todas as declarações apontam num rumo de absoluta normalidade, sem qualquer tipo de incitação à violência, contrariando as intenções demonstradas por alguns setores da oposição durante essa última semana.

Para o vice-presidente venezuelano, Jorge Rodríguez, “mais uma vez o povo venezuelano está dando uma lição aos violentos e dizendo que quer democracia e voto” e que “cada vez que ocorre um processo eleitoral é como um antídoto contra a violência e contra quem quer impor uma agenda das minorias”. “Em nenhum lugar se consulta tanto o povo”, concluiu Rodríguez.

Em razão do clima de entusiasmo da população e da normalidade que toma conta da votação, espera-se que nenhum dos lados tenha ambiente para discursos golpistas ou tentativas de ruptura com a institucionalidade na Venezuela. Ao que tudo indica, o resultado do referendo, independente de qual dos lados saia vitorioso, será uma grande vitória da democracia popular.

Chavez diz Reconhecer Vitória dos Adversários no Caso de uma Eventual Vitória do Não

Com informações da Globovision

Nesse sábado, o presidente venezuelano Hugo Chavez declarou que “caso venhamos a perder por alguma fatalidade, nós reconheceremos o triunfo de nossos adversários”.

A declaração de Chavez é dada na véspera do referendo, após a oposição se unir convocando a população a votar contra a reforma constitucional.

Nos últimos dias foram divulgadas inúmeras pesquisas sobre a intenção de voto no referendo, com resultados que vão desde vitória com uma pequena folga pelo “sim”, até um empate técnico com pequena vantagem para o “não”.

Segundo representantes do Conselho Nacional Eleitoral e de entidades de vários setores, tanto da oposição quanto da situação, a expectativa de abstenção no referendo caiu para cerca de apenas 10%. Tal queda pode ser resultado da intensificação das campanhas de ambos os lados, como pode ser fruto de uma preocupação da população com os futuros do país, diante da forte radicalização dos últimos dias.

As declarações de Chavez derrubam por terra o discurso golpista da oposição, de que Chavez não aceitaria uma eventual derrota no plebiscito.

A promessa de Chavez de aceitar o resultado do referendo, qualquer que seja tal resultado, contrasta com o discurso de parte da oposição que continua pregando o golpe de Estado. Alguns grupos oposicionistas dizem que só aceitaram a vitória do “não” como resultado do referendo, ameaçando com violenta reação contra uma suposta fraude, caso o “sim” seja vitorioso. Ao mesmo tempo, no encerramento da campanha do “não”, nessa quinta-feira, a promessa foi de não aceitar a legitimidade do referendo, afirmando que o Bloco do “não” realizará intensas mobilizações alegando fraude, tão logo seja anunciado o resultado oficial do referendo.

Algumas conclusões básicas podem ser tiradas de tal realidade: 1 – a oposição reconhece a superioridade popular em apoio à reforma constitucional; 2 – o resultado esperado do referendo é tido pela oposição como a melhor desculpa para uma nova tentativa de um golpe de Estado; 3 – a oposição venezuelana se recusa terminantemente a aceitar o resultado da vontade popular que não seja coincidente com os seus desejos.

Seja qual for o resultado do referendo, caso a vontade popular prevaleça contra qualquer mobilização golpista, terá havido na Venezuela uma histórica vitória da democracia popular, com um processo constituinte revestido da mais direta participação e manifestação da vontade do povo. E dentre os principais pontos da proposta de reforma constitucional, o principal item estará consolidado, que é a criação do poder popular, pois é a vontade popular que definirá a entrada em vigor, ou não, da nova realidade constitucional da Venezuela.

Invariavelmente, à oposição venezuelana restará a marca da tentativa de impedir que a população manifestasse sua vontade pelo voto direto. E, também invariavelmente, restará ao governo Chavez, a marca de ter garantido a participação popular na Decisão Política Fundamental do país, mesmo contra a vontade da oposição, da mídia e dos grandes grupos econômicos internacionais, consolidando o seu projeto da “Revolução Bolivariana” que prevê, como ponto central, a participação e o exercício direto do poder, por meio da vontade popular.

sábado, 1 de dezembro de 2007

Mãe de Betancourt sinaliza que gestão do Presidente Chavez por prisioneiros das FARC seguia bem

Por Globovision - de Caracas, Venezuela
Yolanda Pulecio, mãe da colombo-francesa Ingrid Betancourt, feita prisioneira pelas FARC em 2002, assegurou nesse sábado, que a gestão do presidente venezuelano Hugo Chavez, pela libertação dos prisioneiros dessa guerrilha, seguiam bem e por isso viajou a Caracas para agradecê-lo.

“Pensar que tudo ia tão bem, que estava em vias de ser libertada e que tudo tenha sido arruinado de forma tão abrupta pelo presidente me dói na alma, mais vendo a imagem de Ingrid”, disse Pulecio ao se referir à decisão do mandatário colombiano, Álvaro Uribe, de encerrar a gestão de Chavez.

Pulecio, que viajou para encontrar-se com Chavez, juntamente com outros familiares do grupo a pelo menos 45 prisioneiros das FARC, que a guerrilha propõe trocar por 500 guerrilheiros presos, assegurou que as provas de vida de Betancourt e outros 15 prisioneiros foram fruto da mediação do governante venezuelano.

As autoridades colombianas capturaram nessa quinta-feira, em Bogotá, três supostos membros das milícias urbanas das FARC, com seis vídeos, várias fotografias e cartas de 16 prisioneiros, entre eles os estadunidenses Thomas Howes, Marc Gonsalves e Keith Stansell.

“É muito raro o que se passou, que tenham capturado esses jovens” (dois dos jovens capturados junto com um homem), disse Pulecio, ao questionar a operação realizada pelo exército e a fiscalização general.

Em declarações dadas por telefone, a partir de Caracas, à rádio privada Caracol, Pulecio declarou que a situação de sua filha “é muito dolorosa”.

“Oxalá o presidente (Uribe) desça das nuvens e sinta a necessidade que temos de que faça algo por nós e que não tenhamos que vir a outros países buscar coração, compreensão, humanidade, solidariedade, essa é a coisa mais triste que se pode passar a um colombiano”, acrescentou.

De sua parte, Astrid Betancourt, irmã de Ingrid, que também viajou a Caracas, exortou Uribe para que faça uma proposta “contundente” para a busca pela libertação dos prisioneiros.

“Eu Quero dizer ao presidente Uribe é que se ele, apesar do êxito que estava tendo a mediação do presidente Chavez, pôs fim a esta mediação, então que faça uma proposta forte e contundente, mas viável à guerrilha”.

A respeito da converso por telefone anunciada para este sábado entre Uribe e o presidente da França, Nicolas Sarkozy, disse que confia que desse diálogo saia algo “positivo”.

“Para nós é muito importante que essa prova de vida tenha cegado; obviamente conforta o presidente Sarkozi com toda a a sua vontade de chegar à libertação de Ingrid, que é francesa, mas ele não o está fazendo apenas por Ingrid, mas sim por todos os prisioneiros”, assegurou.

Presidente Colombiano Despreza Apelos e Silencia Sobre Volta de Chavez às Negociações com as FARC

O Presidente colombiano Álvaro Uribe despreza os apelos dos familiares de prisioneiros em poder das FARC e silencia sobre possível retorno do Presidente venezuelano Hugo Chavez às negociações para o acordo humanitário na Colômbia.

Na última quinta-feira, familiares da ex-candidata à presidência da Colômbia, a franco-colombiana Ingrid Betancourt, fizeram um apelo público ao Presidente Uribe, pelo retorno de Chavez às negociações pelo acordo humanitário. O apelo foi endossado pelos familiares de outros prisioneiros, pela Federação Internacional dos Comitês de Apoio à Betancourt e pelo próprio governo francês.

Segundo os familiares de prisioneiros, as provas de vida de seus familiares em poder das FARC, apreendidas com supostos integrantes da guerrilha, seriam a prova de os guerrilheiros estariam reunindo as provas solicitadas por Chavez e Piedad Córdoba durante sua mediação para o acordo humanitário. Tal atitude da guerrilha seria a prova de que a mediação da Senadora colombiana e do Presidente venezuelano estaria obtendo absoluto êxito.

A mediação de Chavez e Córdoba foi encerrada, de maneira abrupta, pelo governo Uribe, logo após esse ter se recusado inúmeras vezes em fazer qualquer concessão no processo de negociação. As atitudes do governo colombiano durante aquele período de negociações demonstrou o completo desinteresse de Uribe pelas negociações e por um possível acordo para a troca de prisioneiros.

Agora, diante dos apelos internacionais pelo retorno de Chavez e Córdoba à mediação nas negociações pelo acordo humanitário, Uribe torna a mostrar que não possui nenhum interesse no sucesso do processo de negociação ou em qualquer solução do conflito ou acordo humanitário com a troca de prisioneiros. Apesar de todos os apelos, Uribe silencia sobre qualquer possibilidade de retomar o processo encerrado de forma unilateral.

Durante o processo de negociação, o governo Uribe, insistentemente, tratou de criar inúmeros impasses. Inicialmente, exigiu provas de vida dos prisioneiros em poder das FARC, exigência que também foi feita por Chavez e Córdoba, com a qual os negociadores das FARC haviam concordado.

Entretanto, Uribe se recusava a permitir que Chavez se reunisse com o principal dirigente das FARC, Marulanda, na tentativa de inviabilizar as negociações.Ainda, esse período foi marcado por uma intensificação dos ataques militares contra áreas de influência das FARC, incluindo populações civis inteiras em áreas indígenas.

Ao observar que suas tentativas de inviabilizar o diálogo foram frustradas, como também não havia respaldo em sua negativa ao encontro de Chavez com Marulanda, Uribe criou novas exigências inaceitáveis, estabelecendo como critério para o prosseguimento do diálogo, a libertação prévia de todos os prisioneiros em poder das FARC, esvaziando justamente o tema das negociações que estavam em curso, que era a troca de prisioneiros. Mas tais sabotagens sequer receberam a atenção das FARC, ou dos mediadores Chavez e Córdoba, por quão absurdas eram.

Com o prosseguimento dessas negociações, que jamais interessaram de verdade a Uribe, surgiu a necessidade do governo colombiano radicalizar em suas tentativas de inviabilizar o acordo. E foi nessa tentativa que, no final do mês de outubro, Uribe estabeleceu novos obstáculos, ainda estabelecendo prazo até 31 de dezembro para o fim das negociações mediadas por Chavez e Córdoba. Foi nesse momento que entecipamos que estariam sendo encerradas as negociações do acordo humanitário na Colômbia.

Ainda assim, Uribe sentiu a necessidade de dar o golpe final no processo de negociação, encerrando de forma injustificada e sem qualquer explicação, o mandato de Córdoba e Chavez como mediadores da negociação, o que chegou a gerar um forte conflito diplomático entre Colômbia e Venezuela.

Agora, diante da pressão e dos apelos internacionais pelo retorno de Chavez e Córdoba às negociações, em razão do comprovado sucesso de sua mediação, Uribe não só silencia quanto a tal possibilidade, como busca desviar a atenção, apelando por suposta facilitação do governo francês, que ele conclama a auxiliá-lo em tal encenação.

É certo que o governo francês é dos maiores interessados nas negociações, em razão do cárcere de uma sua cidadã. Também é certo que a França, apesar de dirigida por Sarkozy, representante de uma direita conservadora, possui longa tradição de tratamento democrático em suas relações exteriores contemporâneas, o que a conduz ao caminho do diálogo. Entretanto, o próprio governo francês reconhece implicitamente a sua incapacidade de mediar tal processo de negociação, em razão do distanciamento quanto a realidade do conflito colombiano, no que continuou a apoiar a mediação de Chavez, conforme declarações de Sarkozy em conjunto com familiares de Betancourt.

Uribe divulgou que hoje conversaria com o presidente francês, pedindo seu apoio para o prosseguimento das negociações, tentando demonstrar para o público internacional um falso interesse na continuidade das negociações e no sucesso do acordo humanitário. Mas se mantém calado quanto as provas do sucesso da mediação de Chavez e quanto aos apelos dos familiares dos prisioneiros.

Evidentemente, a França, com toda a sua experiência em conflitos internacionais, não aceitará participar de tal teatro. E a farsa de Uribe continuará a ser desmontada para o público internacional e colombiano. Resta saber até quando Uribe continuará com sua política de inviabilizar o diálogo, mantendo o seu extremo militarismo e a política de terrorismo de Estado.

Mas o que fica como marca da atual situação, é a comprovação absoluta e inequívoca, de que é o governo colombiano, liderado por Uribe, que busca a perpetuação do conflito e do sofrimento do povo da Colômbia, na esperança de justificar eternamente o seu acobertamento do negócio internacional do tráfico de drogas e a intervenção político-militar estadunidense na Colômbia, na região amazônica e na América Latina, ainda que já completamente desmascarada frente a todo o povo colombiano a toda a comunidade internacional.

É necessária agora, mais do que nunca, a mobilização do povo colombiano em defesa do acordo humanitário. E também é necessária a pressão internacional de todos os povos do mundo e da América Latina, em defesa das negociações pelo fim do sofrimento dos colombianos, com a mediação de Chavez e Córdoba e com o reconhecimento das FARC como uma legítima e justa luta popular de um povo.