segunda-feira, 13 de agosto de 2007

Sofrendo na Carne

Na Venezuela Hugo Chavez nacionaliza o petróleo, lembra ao mundo que telecomunicações são concessões públicas, realiza reforma agrária, traz o povo para governar ao seu lado.

Na Bolívia Evo Morales grita ao mundo que as reservas naturais pertencem ao povo, chega ao governo por meio da mobilização popular, enfrenta os mais severos ataques internacionais em defesa da soberania do seu país e em defesa do seu povo que conduz o país pelas próprias mãos.

Mesmo na Argentina, um governante sem nenhum compromisso histórico com as lutas populares diz um basta à dívida pública injustificável, troca o atendimento ao mercado especulativo pelo atendimento ao povo e inicia a construção de uma nova realidade de independência.

Ao mesmo tempo, eu, num país em que um governo se inicia com toda uma carga de compromissos com as lutas populares, num movimento nascido pela luta de trabalhadores, sou obrigado a conviver com a continuidade da implantação do “mais do mesmo”.

Reforma da previdência, supersimples, PPP´s, privatizações, pedágios, trangênicos.

Pobre Brasil, pobre de mim, pobre povo sofrido e desesperançado.

E ainda somos obrigados a defender algo disso tudo para evitar que algo ainda pior nos aconteça.

Somos obrigados a pedir para apanhar mais e mais, para evitar o linchamento até a morte.

domingo, 12 de agosto de 2007

Depressão

A alma humana é algo inacreditável.

Somos capazes de tudo quanto nos pretendemos incapazes. Inclusive, somos capazes de cavar o próprio buraco no qual nos enterramos.

A felicidade é algo inalcançável de verdade. As alegrias momentâneas que nos dão o sentimento, a sensação de sermos felizes, nos tornam ainda mais suscetíveis a ação daquilo que nos agride em nossos mais íntimos sentimentos, sendo garantidor da mais profunda tristeza e infelicidade.

A ilusão que se desfaz, como a tora que pretendemos como aríete desfeita em cinzas, é a desconstrução do sonho e a mais direta demonstração da realidade desnudada frente a nós.

A esperança é a traição à razão.

A certeza do sucesso é a mais pura enganação construída a partir do impossível, demonstrando nossa incapacidade de entender o mundo.

Apenas a infelicidade é certa.

E àqueles que ainda acreditam no mundo, na vida, o conselho: aproveitem enquanto a ilusão não termina, pois quando isso ocorrer, tudo quanto vivido até aqui parecerá sem sentido e a vida mesmo, será algo a que não se dá muito valor.

segunda-feira, 23 de julho de 2007

Falavam de Mim

Não vou mais gritar
Que te amo
Nem vou mais pensar
Se te quero
Se você pretende que eu seja
O futuro da nação
Nem chegue perto
Pois eu não sou isso não
Hoje eu não sou isso não
Não vou lhe agradar
Eu não quero
Nem lhe sustentar
Eu espero
Que você me entenda
Isso eu quero
Vou rasgar toda gravata
Vou viver na praia
Se quiser, venha, mulher
Se quiser, venha, mulher
Não vou mais cortar sua grama
Nem vou acatar sua trama
E os homens que se julgam espertos
Vão ficar tão engraçados
Atras de suas mesas
Eu vou me sentir tão bem
Que vou lhe sentir também


(Ira! - Início da década de 1980, já anunciando o futuro de alguém...)

sábado, 21 de julho de 2007

Vida em Luta

Eu só queria poder sonhar
Eu só queria poder viver
Eu só queria poder chorar
Eu só queria poder sorrir

A realidade já não me comove
O mundo me parece cada vez mais estranho
Preciso de algo que me renove
Destrua essa desesperança já tão sem tamanho

Um dia já tive esperança
Esse dia a muito se apagou
Da esperança já nem mais lembrança
Hoje só revolta me restou

Da revolta, tiro minha força
Da indignação, minha emoção
Cada lágrima me reforça
De cada lágrima construo minha ação

Do futuro nada espero
Evito a decepção
Do presente nada quero
Evito a frustração

Apenas luto
Apenas faço
Apenas tento

Antes morrer lutando do que viver rendido!

Que o Amor se Acabe

As derrotas me fizeram crescer
Mas cresci demais
E não quero mais sofrer

O desespero num berro
As lágrimas contidas
Na desilusão perdidas
Por um amor que não viverei

Do amor me despeço
Não sem antes
Perder um pouco de mim

Se me disseres que vivi
O amor sonhado
Digo-te que o grito contido
É o grito não gritado

De ti carrego
A lembrança amor próximo
Que já me foi negado

A lembrança de seus beijos
Sem amor
Num pavor insano
Com o sabor do nunca

O nunca não me agrada
A dor que principia
A esperança rasgada
De um dia seu amor

Despeço-me da esperança
Querendo ver morrer o amor
Amor que não é meu
O sofrimento do adeus

O Fim da Poesia

O poeta está morrendo
Salvem o poeta
O amor se perdendo
Salvem o amor

Às escondidas
O amor que não se pratica
As horas perdidas
Desejos contidos

O tédio desesperador
Para essa dor não existe remédio
Exceto os beijos escancarados
Que me negas por pavor

Se o mundo contra nós
Contrariemos o mundo
O enfrentemos por nós
Ou que o amor caia em esquecimento profundo

Calar o coração
Amar em silêncio
Rendição à razão
É só nisso que penso

Não posso e não quero
Amar-te sem me amar
Não renego meu berro
Antes a derrota aceitar

O poeta está morrendo
Pois perdendo a inspiração
O poeta se perdendo
Pois amar não é razão

sexta-feira, 20 de julho de 2007

O Vôo Pela Estrada

Quase ao mesmo tempo em que morriam dezenas, mais de duas centenas, em um desastre de avião, morriam dezenas em outro desastre rodoviário.

Um avião e um ônibus, separados por algumas dezenas de quilômetros e uma eternidade de atenções.

No ônibus não haviam deputados ou empresários, investidores e executivos, apenas trabalhadores e desempregados.

Aos rodoviários, nenhum psicólogo ou parentes viajando de graça, nenhuma manchete ou minuto de silêncio, nenhuma crise nacional ou atenção do presidente, apenas o anonimato da ausência de holofotes.

Não que pouco me importe com as vidas que voavam sobre nossas cabeças. Mas, amigos rodoviários, parentes e amigos, meus sentimentos, irmãos de cela e de cruz.