sábado, 15 de março de 2008

As FARC política e as políticas das FARC – parte I

Nos últimos tempos, sobretudo em razão de trágicos acontecimentos, muito se tem falado a respeito do conflito colombiano e das FARC. Entretanto, interessante aspecto dessa abordagem é a mais completa ausência de uma análise histórica, ou mesmo de assimilação dos conceitos e percepções de origem popular sobre o tema. De tal forma, cumpre dar alguma contribuição, ainda que bastante rasa, tendo em vista a profundidade que o tema exige.

É comum, aos detratores da guerrilha colombiana, apontá-las como um grupo terrorista, criminoso, essencialmente militarista e completamente desvinculado do povo ou das lutas populares. E isso é um erro que só se sustenta em razão dessa completa falta de abordagem histórica da guerrilha.

Outra acusação comum é oriunda de setores ditos democráticos, de que as FARC, ou seriam criminosas e terroristas, ou de que se perderam em razão de sua limitação ao militarismo em essência, tendo que seu objetivo teria se transformado em apenas manter sua própria estrutura.

Poderíamos questionar tais teses a partir da análise das fontes de dados e informações que as sustentam. Podemos apontar que tais elementos são assim postos fora da Colômbia, ou nos grandes centros urbanos de predominância de uma classe média típica, que representa menos de 20% da população do país. E poderíamos apontar que as fontes de tais versões são plenamente identificáveis, basicamente em dois grandes veículos de informação, a Revista Semana, crítica aberta de todos os movimentos populares colombianos e do jornal El Tiempo, sob controle econômico de Francisco Santos, vice-presidente colombiano. Entretanto, deixaremos isso para um segundo plano, pois que a simples verificação da realidade histórica já nos basta à análise.

Sobre a essencialidade puramente militar da guerrilha, cabe lembrar sua origem, seu nascimento, na região de Marquetélia, há 44 anos atrás.

Desde 1946, sob o governo de Mariano Ospina Pérez, a Colômbia viveu sob um regime de puro terror, com os massacres cotidianos de trabalhadores e camponeses, de todos os militantes liberais e comunistas. Foi um tempo em que qualquer voz que denunciasse os crimes era calada definitivamente, como foi o caso de Jorge Eliecer Gaitán, o mais célebre combatente contra a política terrorista de então, brutalmente assassinado pelo regime.

Nesse período, dominado fundamentalmente pela ingerência de grupos econômicos privados estrangeiros nas áreas urbanas, enquanto dominavam os grupos de grandes latifundiários conservadores na área rural, foi marcante para toda a história posterior da Colômbia.

O domínio pleno, sem lei, de grandes latifundiários conservadores na zona rural, levou não apenas à violência habitual em situações de mesmo tipo, mas também à trágica experiência da “reforma agrária às avessas”, em que os pequenos proprietários e camponeses eram expulsos de suas terras à força, ou em caso de resistência eram assassinados com toda a família, tendo suas terras anexadas às grandes propriedades de então.

Foi nesse cenário que se formou uma aliança inusitada, fruto da necessidade urgente, do desespero popular, entre os comunistas e os liberais, para organizar a resistência popular, em defesa da vida desses camponeses e de suas pequenas propriedades de que necessitavam para a sobrevivência.

Tal aliança, evidentemente, teve grande força, conquistando inúmeras vitórias populares para a época, que hoje, no mundo dito democrático se diriam fundamentais. Mas as possibilidades de tal movimento estavam muito além dessas pequenas conquistas. Porém conquistas maiores não eram interessantes nem mesmo aos liberais.

Em 1953, com um golpe de Estado que levou Gustavo Rojas Pinilla ao poder, surge a promessa de pacificação do país, com a garantia de anistia, oportunamente aproveitada pelos líderes liberais de então. No entanto, grande parte dos liberais não aceitaram participar desse movimento, mesmo sem vislumbrar a manutenção da luta por meio das armas. Esse grupo se organiza na região de Marquetália e inicia um processo de desenvolvimento econômico agrário extremamente bem sucedido, com a participação, ainda que minoritária, também dos comunistas.

Em meados da década de 1960, essa experiência da região de Marquetália, que atingia um grau extremamente elevado de desenvolvimento agrário e econômico, em um modelo completamente diverso da tradicional propriedade, torna-se uma ameaça aos interesses dos conservadores e dos líderes liberais, que respondiam diretamente a grandes grupos financeiros, além dos interesses privados estadunidenses na região, garantidos por seu governo.

Nessa situação, volta a intensificar-se a violência paramilitar e militar contra os camponeses da região, só que agora já completamente abandonados pelos liberais, que deixaram os camponeses a eles ligados completamente abandonados.

Na rabeira da intensificação da violência, viu-se também a volta da política sistemática de “reforma agrária às avessas”, com o êxodo forçado de milhares de camponeses da região. Só que agora, como resultado da experiência de resistência anterior, os ataques aos camponeses deixam de ser tão fáceis.

Diante do completo abandono dos liberais à causa, são os comunistas que tomam a frente da resistência, tendo Marulanda, antigo líder camponês liberal, agora já nas fileiras do Partido Comunista, organizando, junto com outros 47 líderes camponeses, a resistência à violência estatal e paraestatal.

Tendo a resistência organizada, torna-se imperativo para os interesses dos conservadores, dos liberais e dos estadunidenses, o completo extermínio da mesma, no que em 1964 organizam uma missão de 16 mil soldados, bombardeios e todo tipo de forças paramilitares, com o único objetivo de exterminar os 48 líderes camponeses da região.

Nesse episódio de 1964, a resistência, ainda que sem uma vitória territorial clara, obtém uma significativa vitória ao frustrar, por absoluto, o objetivo do ataque, que era o extermínio da resistência. E o fizeram, dentre outras coisas, pelo levante em armas, na forma de guerrilha rural, que acabou por iniciar a vida e a história das FARC-EP, movimento que acabou por se espalhar por todo o território colombiano, sob sustentação dos comunistas, com a adesão de camponeses e trabalhadores de todo o país, vítimas do terrorismo de Estado e dos paramilitares, tendo adotado sua forma de organização e seu nome após a reunião de todas as frentes guerrilheiras, também na região de Marquetália.

Tal origem das FARC, sua forma de organização, de nascimento, aliada à sua composição popular, de pronto impedem qualquer possibilidade de entendê-la como organização essencialmente militar, pois é popular em sua raiz, em seu nascedouro, em sua formação real.

(continua...)

quinta-feira, 13 de março de 2008

Marcha pela paz na Colômbia - Bogotá

La Jornada / Tradução Naila Freitas - Agência Carta Maior


CONTRA A VIOLÊNCIA DE ESTADO


Mais de 200 mil marcham contra Uribe na Colômbia




Jorge Enrique Botero - La Jornada


Em repudio às matanças perpetradas pelos paramilitares, milhares de colombianos protestaram contra o governo de Álvaro Uribe. Multidão chamou presidente de "lacaio imperialista". Jovens enfrentaram a polícia no fim do protesto. Pelo menos dez ficaram feridos.
BOGOTÁ - Como um rio furioso cujas águas tivessem estado represadas por anos, a maior multidão vista nos últimos tempos saiu às ruas de 21 cidades colombianas, no dia 6 de maço, para render tributo às vítimas dos paramilitares e de crimes de Estado.

Nesta capital, pelo menos 200 mil pessoas caminharam pela central Carrera Séptima rumo à Praça de Bolívar, que ficou cheia pelo menos três vezes ao longo de quase cinco horas, durante as quais os manifestantes lançaram duras críticas ao governo do presidente Álvaro Uribe.

As marchas que tinham sido qualificadas por altos funcionários governamentais como “de apoio à guerrilha”, foram uma verdadeira avalanche humana em que a maioria dos manifestantes acusou Uribe de ser aliado dos grupos paramilitares de extrema direita.

“Vamos à rua, derrubar o governo paramilitar”, gritavam centenas de estudantes da Universidade Nacional, enquanto milhares de trabalhadores de empresas estatais acusavam o mandatário colombiano de “fascista, lacaio imperialista”.

Organizadas pelo Movimento Nacional de Vítimas dos Crimes de Estado, as marchas tomaram um rumo inesperado quando os participantes se pronunciaram sobre os mais recentes acontecimentos políticos, incluída a crise diplomática com o Equador e a Venezuela. Inclusive, numerosos manifestantes marcharam ao grito de “Chávez sim, Uribe não”, no meio dos aplausos do grande público que se lotava cada lado da principal avenida da capital colombiana.

Jaime Caicedo, vereador de Bogotá pelo Pólo Democrático (esquerda) disse para La Jornada que a massiva mobilização era uma contundente resposta à idéia vendida pela mídia de que Uribe conta com o apoio majoritário dos colombianos. “Parece que os pesquisadores nunca perguntaram a opinião destas centenas de milhares de colombianos”, ironizou.

No cair da tarde, quando a manifestação na Praça de Bolívar já estava se dissolvendo, centenas de jovens tiveram um enfrentamento com a polícia, que literalmente tinha ocupado o centro da cidade. Os fatos derivaram para uma verdadeira batalha campal que deixou um saldo de pelo menos 10 feridos, vultosos danos em locais bancários e comerciais, e um número indeterminado de detidos.

Um dos organizadores da homenagem às vítimas, Iván Cepeda, filho do senador comunista Manuel Cepeda, assassinado em 1992, confessou para este correspondente que a magnitude da marcha superou suas expectativas e explicou que participaram, além de órfãos e viuvas, milhares de camponeses expulsos de suas terras pelas ações dos grupos paramilitares.

De acordo com cifras de organismos especializados, mais de quatro milhões de pessoas foram vítimas do êxodo forçado após centenas de massacres perpetrados pelos paramilitares. Atualmente, mais de 60 congressistas que apoiaram a eleição de Uribe estão presos ou são investigados por seus vínculos com os esquadrões da morte.

Cepeda acrescentou que também houve homenagens às vítimas dos paramilitares e dos crimes de estado em 150 cidades dos cinco continentes.

La Jornada entrevistou, também, um grupo de jovens associados ao movimento “Filhos e Filhas”. Alejandra Gaviria, cujo pai foi assassinado no início dos anos 80 na cidade de Medellín, disse que não permitirá que este crime seja esquecido. Explicou que até agora o assassinato de seu pai está impune. “Por isso, um dos nossos lemas é: nem perdão nem esquecimento, castigo para os assassinos”.

Também foram destaque nas marchas a grande quantidade de coloridas expressões culturais: pequenas representações da violência, música e dança.

domingo, 9 de março de 2008

“Seria o narcotráfico tão pouco rentável?” – as contradições da mídia sobre a Colômbia

Os últimos acontecimentos na Colômbia, o tratamento dado pela imprensa de massas e as acusações feitas por Uribe e seus porta-vozes na mídia, despertam a pergunta: “seria o narcotráfico tão pouco, ou nada rentável assim?”.

Não fosse o fato de Uribe, conhecido no Cartel de Medelin, do qual sempre foi membro, juntamente com sua família, ter feito fortuna com o tráfico, a resposta aparente para essa pergunta seria um “sim”.

As acusações da “Grande Mídia” e dos poderosos colombianos contra as FARC, são do envolvimento e comando da guerrilha sobre o negócio do narcotráfico internacional, negócio que fatura bilhões todos os anos.

Reconhecidamente, a Colômbia é o maior produtor mundial de cocaína, responsável pelo abastecimento do mercado estadunidense e europeu, visto que quase a totalidade da produção da Bolívia é legalizada e destinada ao abastecimento da indústria de bebidas (Coca-Cola e Pepsi), além da indústria farmacêutica mundial.

Estima-se, nos Estados Unidos, que o negócio das drogas, com destaque absoluto para a cocaína, esteja entre os 50 maiores negócios do mundo, em termo de movimentação financeira.

Todos esses fatores, por si só, levam a imaginar que, em se acreditando nas acusações que a “Grande Mídia”, Uribe e sua turma fazem às FARC, a guerrilha seja uma grande potência econômica, com os cofres forrados de dólares e seus líderes acumulando um patrimônio incalculável.

Como paradigma dessa análise, podemos tomar o caso de Abadia, mega-traficante colombiano preso no Brasil, cuja fortuna calculada ultrapassa o limite do imaginável, tendo o patrimônio formado por toda sorte de negócios e bens possíveis, além de sua fantástica capacidade que chegava ao ponto de construir submarinos próprios para o transporte de drogas.

Entretanto, na contramão de tais acusações contra as FARC, temos os fatos apresentados, a realidade que teima em aparecer, mesmo nos discursos oficiais daqueles que fazem as acusações.

Raúl Reyes, apontado como o número 2 das FARC, foi assassinado em um acampamento improvisado em meio à selva, sem quaisquer itens de conforto ou luxo. Tratava-se do segundo na linha de comando em uma organização cujos detratores apontam como proprietária do negócio multimilionário.

Onde estará a fortuna acumulada com o negócio das drogas? Por que o homem que comandava o negócio tão rentável estaria vivendo em condições precárias em meio à selva? Onde teria ido parar os tantos itens de riqueza que os acusadores sempre apontaram?

Pode algum defensor do regime narco-fascista reinante no país apontar que estaria Reyes em tal situação apenas em razão de sua necessidade de se esconder do governo. Entretanto, em nenhum caso conhecido na história, a necessidade de se esconder impediu que os criminosos usufruíssem da fortuna amealhada na prática criminosa, pelo contrário, lembre-se da ostentação de Pablo Escobar, ou mesmo do caso daquele que tomamos como paradigma, Abadia, que permaneceu levando sua vida de milionário na Colômbia até o momento em que sua popularidade entre os demais chefes criminosos caiu.

Mas o caso não se encerra aí.

As FARC ficaram famosas em todo o mundo justamente pelo fato de jamais esconderem os rostos, por falarem abertamente de seus métodos, de suas formas de luta e suas formas de manutenção. Sempre falaram abertamente sobre a cobrança de impostos sobre grandes fortunas, como também da sanção de reclusão aplicada aos sonegadores. A esse último, a imprensa aponta como sendo seqüestros. Assim sendo, qual problema teria as FARC em assumir a prática do narcotráfico caso o praticasse?

E o caso de Reyes acrescenta mais um elemento para a análise: as acusações contra Rafael Correa e Hugo Chávez de sustentarem a guerrilha com vultuosas contribuições.

Ora, se as FARC comandam um negócio que movimenta quantias quase superiores a metade do PIB desses países, que necessidade ou utilidade teria para as FARC contribuições desse tipo?

E note-se que a acusação feita contra os dois presidentes é aquela do caso que ficou conhecido como dos “computadores antimísseis colombianos”, por quão ridícula é a tese de que computadores tenham passado intactos a um ataque com bombas cluster.

Vamos acrescentar ao nosso caso, a acusação de que as FARC, no ano de 2002, teriam contribuído ilegalmente com 4 milhões de reais para a campanha presidencial de Lula. A acusação foi feita por inúmeros órgãos de imprensa do Brasil e estrangeiros, tentando vincular Lula às FARC, as FARC ao narcotráfico, assim podendo conquistar um distanciamento definitivo entre Lula e PT, em relação às FARC.

Pois bem, temos que, segundo as acusações que são feitas pelas mesmas pessoas sempre, as FARC são um grupo de traficantes que não conseguem se manter com o dinheiro do tráfico, que parece ser pouco lucrativo. Assim as FARC precisam de dinheiro vindo de outros países da América Latina, de forma ilegal, para garantir sua manutenção. Ao mesmo tempo, as FARC dispõe de 4 milhões para dar como contribuição para uma campanha eleitoral no exterior, mostrando que tem grande capacidade econômica. E tudo isso acontece enquanto seus dirigentes vivem em acampamentos improvisados, em meio à selva, sem qualquer condição de conforto ou bens próprios.

Se esses elementos não são suficientes, vamos acrescentar as declarações dos prisioneiros das FARC libertados recentemente.

Os prisioneiros fizeram duras críticas às condições em que foram mantidos durante o período de cárcere. Reclamaram, sobretudo, as condições de alojamento e de alimentação, além de cuidados básicos com a saúde.

No entanto, os próprios libertados apontaram que, apesar de suas reclamações, suas condições de alojamento, quando não estavam em deslocamento, eram quase iguais às dos guerrilheiros e dirigentes guerrilheiros, assim como sua alimentação era exatamente a mesma.

Podemos concluir disso, que o negócio do tráfico internacional de drogas é um dos menos rentáveis, com lucratividade inferior a qualquer plantação de batatas, ou coisa que o valha.

Podemos também concluir que os líderes das FARC são um incrível grupo de masoquistas, dedicados a se empenhar na atividade econômica menos rentável e mais reprimida que puderem encontrar. Ou então são masoquistas porque a atividade lhes rende muito, mas eles, por opção própria, preferem viver em condições precárias, talvez para garantir uma boa acumulação de dinheiro e propriedades para o pós morte, pois não usufruem dos recursos em vida.

Um último elemento que podemos acrescentar à nossa análise, é essa nova alegação dos narcos que comandam a política e o Estado colombiano, para tentarem convencer o mundo de que estão enfraquecendo as FARC.

No episódio do assassinato sob encomenda de Ríos, o discurso ensaiado do pistoleiro contratado por 5 milhões, foi de que cometera o crime, a emboscada e traição, por não suportar as condições em que estava, até mesmo com falta de alimentos.

Note-se: um “chefe do tráfico”, juntamente com os seus “capangas”, que “atuariam na prática do tráfico”, atividade que movimenta bilhões ao ano na Colômbia, não dispunham sequer de alimentação adequada e suficiente.

Acredito não precisar apontar mais qualquer argumento, pois a constatação da mentira é óbvia, ululante, exageradamente clara: as acusações que se fazem contra as FARC são falsas, pois são contradições insuperáveis dentro do discurso dos próprios acusadores. Não se precisou aqui recorrer a qualquer argumento trazido pelo campo que defende a guerrilha, mas apenas de seus detratores. Sequer precisaremos lembrar que Uribe foi funcionário dos mais fiéis de Escobar, chefe do cartel de Medelín, o qual, segundo seus assessores mais diretos e até sua noiva, tinha em Uribe um dos mais competentes e fiéis executores das atividades de sua quadrilha. Nem precisaremos lembrar que o primo de Escobar, seu braço direito nos tempos do Cartel, é hoje o Conselheiro Presidencial.

A realidade demonstra, de forma cabal, que além de falsas e mentirosas, as acusações contra as FARC são obra da mais absoluta incompetência, de quem não consegue ser minimamente coerente em suas armações.

As mentiras contadas pelo narco-fascismo, através da imprensa dominad pelo crime e pelos grandes grupos econômicos, não se sustenta diante de seus próprios argumentos. E o mais triste é ver que pessoas ditas de boa fé, ainda compram tais contos da carochinha como suas verdades absolutas.

sábado, 8 de março de 2008

A pistolagem institucionalizada na Colômbia

O crime de pistolagem figura entre os mais repudiados por toda a humanidade nos tempos atuais. Os assassinatos encomendados, executados por pagas em dinheiro, estão entre as condutas mais desaprovadas, em todas as legislações do mundo, como também contam com o repudio de qualquer que se diga minimamente civilizado, até mesmo entre as culturas de povos originários.

A pistolagem institucionalizada teve seu lugar em territórios sem lei, sem um mínimo de civilidade, como no período de colonização dos EUA, ou em sua conhecidíssima corrida do ouro e colonização do meio-oeste. Era conhecida como a época das recompensas, em que os assassinatos eram plenamente aceitos, por meras retribuições pecuniárias, sejam estatais ou privadas.

Com o surgimento e universalização de conceitos de civilidade, como os direitos humanos, a consagração da vida, a condenação dos assassinatos, o repúdio aos justiçamentos, a pistolagem foi alçada ao nível de crime bárbaro, tanto da parte do executor do assassinato, mas principalmente de seu mandante, que além do crime contra a vida, da crueldade, tem o caracter da covardia extremada, de quem, além de criminoso, não tem a coragem de enfrentar sua vítima, fazendo uso de expedientes sorrateiros, que levam à uma espécie de precificação da vida, além de impor à vítima uma situação de impossibilitação absoluta de defesa, pois jamais terá como saber quem será seu algoz, sendo sempre vítima de emboscadas.

Não à toa, todas as legislações penais do mundo, inclusive a da terra das recompensas, condenam de forma mais rígida esse tipo de crime contra os seus cidadãos, tratando como agravante o fato de o crime ser cometido por motivo fútil, além de mais um agravante por ser um crime de emboscada e impossibilitando a defesa à vítima.

Mas nos Estados Terroristas, nos Estados fascistas, a civilidade, os direitos humanos, a vida, são coisas descartáveis, ao gosto dos criminosos que tomaram de assalto o poder.

Assim é a Colômbia dos dias de hoje: um Estado narco-fascista, paramilitarizado, onde o crime e o terrorismo imperam de forma absoluta, como uma política de Estado, já arraigada em suas instituições, apesar do forte repúdio de toda a sociedade.

“A vida humana não tem preço”, diz-se há muito, sobretudo nos tempos pós Revolução Francesa, em que os direitos fundamentais do Homem foram finalmente positivados. E diz-se da vida como algo acima de qualquer outro bem que se possa imaginar.

Quanto vale uma vida então?

Na Colômbia, nos tempos atuais, uma vida pode ser o preço da verdade, como também pode valer algum dinheiro qualquer, que varia de alguns milhares de dólares, até alguns milhões. Essa é a forma pela qual o narco-fascismo trata a vida.

Iván Rios, comandante das FARC, foi a mais recente vítima desse tipo de pistolagem, de crime institucionalizado.

5 milhões seria o preço de sua vida, o preço de uma vida humana.

Arquitetada desde Washington, a política terrorista de Estado da Colômbia é direta em sua execução: oferece dinheiro pelo assassinato daqueles que ousam lutar contra o Estado terrorista. E oferece muito dinheiro, como costumam fazer os mais psicóticos criminosos da história.

Teria sido por dinheiro que um dos discípulos de cristo entregou o símbolo maior da maior religião do mundo, aos seus algozes. E foi por dinheiro que um dos mais bravos lutadores do povo colombiano teve sua vida abreviada, por mais um judas, mais um traidor de seu povo.

O assassino, aplaudido pela psicopatia reinante no Estado colombiano, apresentou-se prontamente para receber sua paga pelo cometimento de um crime encomendado, no que foi prontamente apresentado como uma das crias mais bem acabadas do terrorismo e do crime institucionalizado.

Até que tentou, o governo colombiano, criar uma historinha daquelas que nem as crianças, na mais tenra idade, acreditam, a fim de apresentar o crime bárbaro como ato legítimo, de desespero, de correto. Mas a própria versão apresentada pelos incompetentes executores do terrorismo deixa clara a realidade dos fatos.

Em primeiro lugar, o covarde assassinato de Rios, por emboscada, foi apresentado como resultado de uma “bem sucedida operação militar”. Mas logo veio a verdade, de que um membro de seu grupo, que havia tido contato com os mandantes do crime, foi o real executor da ordem de homicídio.

O facínora, falando de forma pausada e decorada, apresentou, às câmeras de TV, sua versão para o crime. Disse que cometeu a atrocidade movido pelo desespero de estar “cercado”, “isolado”, sem condições sequer de alimentação.

A primeira pergunta que fica acerca de tal desculpa, é a razão de o mesmo ter sido o único que sentiu o peso de tal realidade, dita por ele como “insuportável”.

Mas são os requintes de perversidade do caso que mais chamam a atenção.

O traidor e bandido, não contente em assassinar, à emboscada, o comandante Ríos, pessoa a quem era muito próximo, decidiu cortar-lhe a mão direita, para levar de troféu.

Ora, não fosse o elemento de psicopatia, de perversidade extrema, esse fato já seria, por si, suficiente para demonstrar o caráter de extrema selvageria do ato.

Agora imagine-se e avalie-se a alegação feita: um homem, em ato de desespero, decide assassinar, à emboscada, pessoa que o tinha na máxima confiança, ceifando-lhe a vida de forma covarde, no que se segue o ato de amputar-lhe a mão, talvez por ato fruto de seu “desespero”, que o impelia a demorar-se mais na execução de seu crime, além de carregar consigo prova de que o cometera, para permitir-se ser apanhado por aqueles que pudessem querer a punição por tal crime.

Não é crível? Pudera, pois não há a mínima possibilidade de veracidade de tais alegações.

Voltemos à primeira versão surgida para o ocorrido, de ser uma operação de inteligência militar.

Operação de inteligência militar, sob coordenação e orientação dos EUA, como é o caso do Plano Colômbia, como publicamente conhecido, consiste, em básico ato de manual, na infiltração e corrupção de membros da organização que se pretende aniquilar. Isso não é novidade.

O executor do crime sob encomenda apresenta feliz da vida, a mão direita de sua vítima, como forma de comprovar que cometera o crime.

Por que razão algum criminoso se disporia a tão grande esforço para provar o cometimento de um crime? Como um criminoso, sem grande nível de instrução e conhecimento, saberia planejar tão frio ato criminoso em minúcias?

Podem alegar os defensores do Terrorismo de Estado na Colômbia, que o criminoso e traidor o fizera para comprovar que cometeu o assassinato e queria deixar a guerrilha. Mas se Uribe diz que garante a segurança daqueles que queiram se “desmobilizar”, seria esse argumento a confissão, a comprovação de que a história de garantias é a mais pura mentira?

Um homem que servia tão fielmente ao trabalho guerrilheiro, ao trabalho político, em meio ao que se chamou de uma “bem sucedida operação militar”, no que havia uma generosa oferta de recompensa.

Temos, por evidente, que não há outra possibilidade, senão a certeza de que o traidor e assassino foi diretamente contatado e contratado para a execução do crime, como um pistoleiro comum, que depois cumprira sua parte em um contrato de 5 milhões de dólares. Para os defensores do livre mercado, apenas uma “troca voluntária”.

Note-se que a forma de comprovação do “serviço feito” é de nível tal, que só exigido em tempos remotos, como na idade média, em que as guerras privadas movidas economicamente, gozavam de um “status” de “legitimidade”. A mão amputada, mais documentos, para se comprovar o sucesso da missão contratada.

No dia seguinte à manifestação que mobilizou milhões na Colômbia, mais milhões em todo o mundo, todos pedindo por paz, todos pedindo o fim do Terrorismo de Estado na Colômbia, o narco-fascismo de Uribe dá sua resposta, promovendo a guerra, promovendo o crime, promovendo a institucionalização da pistolagem.

Agora que o assassino traidor, covarde bandido, não acredite que o seu sucesso está completo, pois ainda há o povo colombiano, ainda há o Estado criminoso enlouquecido por lhe dar as costas e trair o compromisso assumido e contratado.

quarta-feira, 5 de março de 2008

É por isso que marchamos nesse 06 de março

ANNCOL - Brasil

São mais de 43 anos do conflito colombiano, que nasceu de uma tentativa de massacrar camponeses que apenas lutavam contra grilagens, execuções sumárias promovidas por latifundiários, por uma reforma agrária. São 43 anos em que o povo colombiano vem sendo sistematicamente massacrado por governos criminosos e narco-paramilitares que controlam esse Estado.

São mais de 43 anos em que a Colômbia viu mais de 1 milhão dos filhos dessa pátria sendo deslocados forçosamente. Mais de 300 mil filhos dessa pátria assassinados de forma brutal, tão somente porque ousaram levantar a voz contra a opressão.

Nesses mais de 43 anos, o povo colombiano mostrou toda a sua fibra e coragem. Seja por meio daqueles que se levantaram em armas para combater os que antes os assassinavam sem obstáculos, seja pela coragem daqueles que buscaram nos sindicatos e nos movimentos populares, sua forma de resistência, ainda que sob os constantes atentados e mortes que se tornaram rotineiras.

Apenas nessa década, apenas sob o regime de Álvaro Uribe, o narco-paramilitar chefe da Casa de Nariño, a Colômbia já contabiliza mais de 520 sindicalistas executados e mais de 120 jornalistas assassinados.

Apesar de todos os crimes praticados por aqueles que controlam o Estado colombiano, gerenciando os interesses do narcotráfico sob as ordens estadunidenses, o povo colombiano, há muito, clama por paz, pede por uma saída política para o conflito. E nesse caminho de paz, seguiram as FARC, incessantemente pedindo por negociações de paz e um intercâmbio humanitário de prisioneiros de guerra.

Foram 6 prisioneiros libertados pela guerrilha apenas neste início de ano, sem que qualquer gesto de colaboração com a paz surgisse por parte do narco-governo.

Mesmo na última semana, foram mais 4 prisioneiros de guerra libertados unilateralmente, sem que o regime narco-fascista assinalasse com qualquer possibilidade de um processo de paz, pelo contrário.

Às vozes que há muito clamam por paz, juntaram-se os libertados, que apontavam a necessidade de uma saída política para o conflito, pois compreenderam a realidade de seu país. No mesmo rumo, há muito, estão as vozes daqueles que continuam presos, aguardando a boa vontade de um governo psicótico, sedento por sangue.

As FARC libertaram prisioneiros e pediram uma negociação de paz. O governo narco-fascista de Uribe respondeu com a execução, a bombas, do negociador de paz da guerrilha, no mesmo ato em que declarou guerra a todo o continente latino-americano, bombardeando um país vizinho.

A execução de Raúl Reyes, em território do Equador, por meio de um bombardeio aéreo, é bastante significativa.

Uribhitler não aceita, sob qualquer hipótese, a paz na Colômbia, pois deseja a guerra, lucra com a guerra, tem ódio de seu povo e de todo o povo latino-americano. Uribe quer a guerra, não só na Colômbia, mas quer a guerra se espalhando pelo continente, sem vacilar em atacar os países vizinhos, sendo hoje a maior ameaça à segurança e à paz no continente. Uribe não aceita a libertação dos prisioneiros, pois os quer todos mortos, pelas armas do próprio exército que comanda, assim como fez com os 11 deputados do Valle del Cauca.

No entanto, o mais significativo deste episódio, é que o narco-fascista-paramilitar, Uribe Vélez, não poderia se contentar simplesmente em executar, de forma covarde a um dos dirigentes das FARC. Uribe precisava, para demonstrar de forma definitiva que não aceita a paz, assassinar exatamente o negociador de paz da guerrilha, para pôr fim a qualquer possibilidade de negociação, mesmo com outros países.

Diante dessa realidade, mais do que nunca, se faz necessária a mobilização e a pressão mundial contra a política terrorista, criminosa e assassina do governo colombiano.

É imperioso que todos os governos democráticos do mundo, a começar pelo Brasil, encerrem todas as suas relações com esse governo terrorista de Uribe Vélez, condenando sua política de execuções e sua declaração de guerra contra um país vizinho, que põe sob ameaça toda a região.

É preciso reconhecer que paz se tornou impossível sob o regime fascista que controla a Colômbia. E torna-se necessário impor o fim imediato e antecipado do governo assassino e narco-paramilitar de Uribe, para que o caminho da paz se abra na Colômbia, também permitindo a volta da convivência amistosa entre as nações soberanas da região.

Nós gritamos pela vida, eles comemoram a morte.

Nós pedimos por paz, eles fazem a guerra.

É por isso que marchamos.

É por isso que lutamos.

É por isso que a Colômbia e o mundo se mobilizam.

Pelo fim do Terrorismo de Estado!

Pelo fim do regime narco-paramilitar-fascista de Uribe!

Chega de massacres!

Chega de Guerra!

Pela paz!

segunda-feira, 3 de março de 2008

O comandante do povo

Manuela Rodriguez/Rádio Café Stéreo


O revolucionário Raúl Reyes foi forjado na luta cotidiana de sua cidade natal, La Plata, departamento de Huila, primeiro como dirigente da Juventude Comunista, e logo no seio do Comitê Central do Partido Comunista Colombiano, de onde participou da campanha de criação da União Patriótica, como militante do Partido Comunista Colombiano.

Ao receber a notícia dos assassinatos de líderes comunistas e da União Patriótica, Raúl Reyes se transfere para as montanhas da Colômbia nos anos 1980, onde tem um ativo papel na luta dos camponeses, se destacou como negociador das FARC durante os diálogos de paz com o governo de Andrés Pastrana entre 1998 e 2002; durante esse processo, Reyes participou, junto com outros membros da guerrilha, de uma longa volta por vários países europeus. Era uma das figuras mais emblemáticas das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia – Exército do Povo (FARC – EP) junto com Manuel Marulanda Vélez, Gillermo Cano, o mono Jojoy, Iván Marquez, etc. Era conhecido como o COMANDANTE DO POVO.

Ele mesmo foi o mais claro exemplo desta concepção revolucionária. Mediante e leitura disciplinada, o estudo e sua experiência guerrilheira, se fez um grande autodidata e conhecedor dos princípios do marxismo-leninismo, os quais utilizou de forma criativa para interpretar nossa complexa realidade e dotar as FARC-EP de uma certa orientação revolucionária, que serviria de guia para adiantar as transformações sociais que com urgência reclamam o país. Este conhecimento da realidade colombiana foi vertido durante anos em seus cursos de filosofia marxista e de economia política, mostrando ainda, suas qualidades de educador.

O Comandante Raúl Reyes era muito querido por sua humildade, sinceridade e sorriso franco, comparando-se por alguns sua popularidade à do chefe revolucionário Manuel Marulanda Vélez.

Mas na idéia de construir uma grande pátria com paz e justiça social, na mente imaginativa do comandante Raúl Reyes, sempre brotaram sonhos permanentes de luta. E assim como propicia o reencontro guerrilheiro com Simon Bolívar, com a vigência de seu pensamento antiimperialista, da unidade latino-americana e da unidade popular. Hoje o espírito destas idéias estão presentes no Movimento Bolivariano pela Nova Colômbia.

Na morte do inesquecível comandante Raúl Reyes, seu pensamento político e exemplo revolucionário estão presentes nos processos de troca em nosso país e em todo o continente.

Agora: Quem é realmente nosso verdaeiro inimigo? ... O gringo que ocupou e segue ocupando nosso território, discrimina, explora, ata nossas mãos e coloniza nossas humilhações, ou o espanhol que acaba semeando suas sementes culturais em nossas terras.

VIVA O COMANDANTE RAÚL REYES

domingo, 2 de março de 2008

Uribe pode ter assassinado Ingrid Bettancourt.

Como todos sabem, as FARC, por questões de logística e segurança dos prisioneiros, procuram separá-los, não mantendo jamais um cativeiro único.

No que se refere à segurança, tal prática se intensificou depois que Uribe, com o assassinato dos 11 deputados do Valle del Cauca, deixou claro que pretende matar todos os prisioneiros para não ter mais qualquer empecilho para o desenvolvimento de sua política terrorista.

Ingrid era, sem dúvida, a prisioneira mais visada, tanto pela repercussão internacional sobre seu caso, como pelas pretensões de Uribe em obter um terceiro mandato, objetivo que poderia se tornar impraticável caso Ingrid fosse libertada e decidisse candidatar-se novamente.

Esse posicionamento de Uribe tornou-se mais claro com as sua recusas em aceitar que as FARC fizessem a libertação, mesmo unilateral, dos prisioneiros, no que tentaram, de todas as formas, impedir a operação Emmanuel, por meio de intensivas operações militares e a intensificação dos habituais bombardeios.

Em razão desses fatores, aliado ao interesse direto de Uribe em ver Ingrid morta, a prisioneira franco-colombiana, conforme relatam os próprios ex-prisioneiros, foi levada para um cativeiro distinto daqueles mais numerosos, em companhia, talvez, de mais um ou dois prisioneiros cuja vida interessa menos a Uribe.

Apesar do caráter itinerante de todos os acampamentos, característica tanto de acampamentos quanto do movimento de guerrilhas, alguns deles se destacam em segurança em razão da natureza de suas atividades não armadas.

Nesse sentido, podemos destacar dois pontos de maior segurança das FARC, que seriam a frente de Marulanda, no Bloco Ocidental, por ser o acampamento sede dos mais numerosos encontros de membros do Estado Maior da guerrilha. De outro lado, a Frente de Reyes, que se destinava às relações internacionais e, não raro, recebia autoridades nacionais, internacionais, veículos de comunicação, dentre outros.

Por certo, o local de maior freqüência de reuniões entre membros do secretariado, inclusive por razões de sobrevivência da organização, não se destinaria a albergar prisioneiros. Assim restaria como local seguro para Ingrid o acampamento de Reyes. Com quem notoriamente Ingrid teve contato por várias vezes.

Vários outros elementos apontam na mesma direção.

Ingrid, segundo contam ex-prisioneiros, estaria bastante debilitada. E a razão de seu frágil estado de saúde seria relacionado a uma profunda depressão, por acreditar que jamais seria libertada, visto as informações sobre a forma como Uribe trata as tentativas de negociação, que ela receberia diariamente.

Sabidamente, o responsável por tais tentativas de estabelecimento de um diálogo seria justamente Reyes. E Ingrid, para ter acesso diário às informações, seria necessário que estivesse no mesmo acampamento em que as informações circulavam diretamente.

Outro fator geográfico alimenta essa quase certeza de que Ingrid estaria no mesmo acampamento que Reyes, pois que por segurança, seria necessário que se estivesse com a mesma em região próxima à fronteira de país cuja orientação do governo não seja a de extermínio de lideranças políticas insurgentes, que favoreçam a saída política para o conflito.

Evidentemente, os países cujas fronteiras teriam tais características seriam Brasil, Venezuela e Equador.

Dentre esses três países, necessário observar que o único cuja fronteira oferece condições de circulação pelo lado colombiano é a do Equador.

Ao norte, com a Venezuela, a região e de controle dos paras, com forte influência das forças armadas e a presença massiva de traficantes, o que torna quase impossível uma circulação segura com prisioneiros pela região.

Já na fronteira com o Brasil, o transporte de drogas é intenso, fazendo com que as FARC tenham inúmeras limitações para evitar combates desnecessários.

Já o sul da Colômbia é área hegemônica das FARC, a única região em que se pode garantir uma maior segurança na circulação com uma prisioneira tão procurada, viva ou morta.

Assim, resta explicada a razão de tal ataque ao acampamento, sobretudo num momento em que Uribe sabia que enfrentaria forte reprovação internacional por seu ato.

Pelas declarações dos recém libertados, a libertação de Uribe era iminente. Portanto tornava-se necessário que Uribe agisse rapidamente exterminando Ingrid. E ao que tudo indica, o fez.

Nas próximas semanas, assim que as comunicações do lado popular tornarem a se ajustar, é quase certo que a notícia seja divulgada, no que Uribe tentará acusar as FARC de terem a matado como represália, o que seria ridículo, bem se sabe.

A essa hora, ao que tudo indica, parece que a possibilidade de paz pode ter morrido, junto com Reyes e Ingrid, cujos corpos foram levados por seus assasinos, segundo o terrorista J.M. Santos, “para evitar que tentassem recuperá-los”.