terça-feira, 19 de junho de 2007

Um Herói de Todos os Tempos

Enfim um de nossos maiores heróis recebe o devido reconhecimento.
Não estou falando de uma pensão, de uma indenização aos seus familiares, pois das possibilidades de conquista de riquezas materiais Capitão Lamarca abrira mão ao optar por lutar ao lado do povo, em defesa do povo, deixando de lado sua brilhante e promissora carreira nas forças que governavam o país.

Era ano de 1964, quando Lamarca, ainda sem muito entender do povo assistiu, desde o Rio Grande do Sul, os sonhos de um país melhor desmoronarem com o golpe aplicado por seus comandantes a serviço de interesses vários do grande capital.

Mas o tempo passa e o espírito revolucionário, que apenas aguarda seu despertar, sempre encontra o seu caminho, o seu rumo a seguir.

E assim foi com Lamarca, que em 1969 abandonou a caserna, seu soldo considerável, seu posto de capitão, juntando-se às lutas populares, ingressando na luta armada, em defesa de todo o seu povo.

Foi em 1969 que o Brasil pôde conhecer um de seus maiores heróis, um homem de coragem, capaz de deixar o conforto, a certeza de uma carreira bem sucedida, os sonhos pequeno – burgueses que dominam os Homens de nossos tempos, para aderir à luta por uma sociedade mais justa, fraterna, igualitária.

Poucas vezes em nossa história, um combatente popular foi tão atacado por todo o aparato de dominação, em tão curto tempo de atividade revolucionária, quanto o “Capitão da Guerrilha”.

Acusado de atrocidades das mais variadas, esquecem-se seus detratores que Lamarca combatia o bom combate, contra inimigo muito mais forte, mais preparado, mais equipado, em maior número. Esquece-se que Lamarca lutou o bom combate contra o aparelho mais cruel, que ele conhecera por dentro, numa luta em que se matava ou morria-se.

Atacam-no porque é o símbolo, a prova, de que o Homem em situação confortável não precisa se submeter ao sistema, aceitar a humilhação de seu próximo e calar-se. O exemplo de que a busca por uma nova sociedade é obrigação daqueles que enxergam além de si mesmos.

Morreu como herói, sem jamais se render, sem jamais baixar a cabeça ou fechar os olhos para a miséria, a injustiça e a opressão. Morreu por fazer sua escolha. Morreu como herói por escolher o lado do povo.

Morreu pelas mãos do inimigo, em seu último ato de vitória, pois passou à vida eterna em seu exemplo, em sua luta, em seus sonhos, a qual nenhum dos inimigos do povo serão capazes de apagar, jamais.

Lamarca passou da luta em armas, da luta direta, para a luta por corações e mentes, através da ternura de seus sonhos, da firmeza de suas palavras, da bravura de seus atos.

E hoje lhe vem o reconhecimento, o parecer final de um reconhecimento estatal, formal, que pouco significa para aqueles que mantêm vivos os sonhos de justiça e igualdade, mas que muito significam como reconhecimento de da justeza de uma luta, que a todos aproveitou.

Não me interesso pelos dinheiros dados como indenização aos familiares do Capitão. Não quero saber se a pensão é suficiente. Tudo isso é menor do que tudo aquilo que significou aquele homem, aquele combatente do bom combate.

Mas muito me satisfaz a revolta daqueles predadores de ontem, daqueles que ainda clamam por seus direitos de torturar e fazer torturar. Muito me agrada sua revolta, muito me agrada seu desespero. É o ataque ao homem que muito mais do que um ser humano, é um símbolo, um símbolo de liberdade e coragem, de sonhos e realidade.

Lamarca, sua história, seus sonhos, sua coragem, continuam vivos em nossa memória, em nossos corações.

Que seu exemplo, de homem que se despiu da mesquinharia do individualismo exacerbado, sirva-nos de lição de que os sonhos devem sempre ser buscados.

Que a luta do Capitão da Guerrilha seja a nossa luta.

Que os tiranos de ontem e seus defensores de hoje desesperem-se a cada dia mais.

Que os sonhos de uma nova sociedade tornem-se, por nossas mãos, realidade.

Que nossos mortos de ontem não tenham lutado em vão.

Lutar é preciso, sonhar é preciso, vencer é preciso.

Ousar lutar! Ousar Vencer!
Hoje tive vontade de rir e chorar, de gritar e cantar, de viver e morrer.

Queria rir de mim mesmo, de minha vontade de chorar por toda a beleza de sua alma.

Querua gritar o seu nome aos quatro ventos, ao mesmo tempo em sussurraria seu nome nas canções mais belas e românticas.

Apenas queria viver e morrer em seus braços, para nas manhãs viver junto ao seu corpo ou em seus pensamentos.

sexta-feira, 15 de junho de 2007

Pelos Sonhos, Ainda Vivos

Mais alguns companheiros e camaradas morrem na América Latina.

Quem são? Não sei, já não possuem uma identidade própria, um rosto, um nome. São centenas, são milhares.

Podem ser Dayana e Gabriel (http://anncol-brasil.blogspot.com/2007/06/assassinados-dois-dirigentes-da.html), podem ser os mais de 300.000 colombianos mortos pelo terrorismo de Estado e pelos narco-paramilitares de direita das AUC, podem ser as dezenas de mortos na luta por reforma agrária no interior do Brasil, como os 19 companheiros de Eldorado dos Carajás.

São tantos, apenas entre os recentes, que seus nomes já nem mais podem ser listados.

E não se está falando nem dos oficialmente chamados “anos de chumbo”, por que passou todo o continente ao sul do grande império, apenas daqueles de quem a saudade é atual, sentida com o coração, não ainda com a nostalgia das remotas lembranças.

Sonhos encerrados a fogo, lutas interrompidas pela força, a busca por justiça barrada pela violência, o sentimento fraterno e solidário combatido pela brutalidade e truculência.

Mas no momento não podemos nos dedicar muito a chorar tais ausências. É preciso continuar a caminhada, continuar a trilhar o caminho percorrido por eles, no mesmo rumo, com o mesmo objetivo.

Não nos permitiremos chorar por seu sangue derramado, nos dedicaremos a manter acesa a chama que os moveu, tendo-os como exemplos de um sonho possível, um sonho que manteremos vivo, que continuaremos a buscar, até transformá-lo em realidade.

Camaradas, seus sonhos continuam vivos e sua presença ainda é sentida!

Aqueles que tombaram na luta não morrem, estarão sempre presentes, em nossos corações e mentes!

Um Olhar em Meus Sonhos

Aquele olhar cheio de magia estava ali, a poucos centímetros de mim, atentos a cada gesto, a cada palavra, a cada respiração.

Eu ali, tentando, de todas as formas, esconder tudo o que se passava em meus pensamentos e em meus sentimentos, ao mesmo tempo em que rezava para que aquele mágico olhar descobrisse tudo, retribuísse tudo.

Mas minhas preces não foram atendidas.

Preciso me lembrar de parar de rezar, de nada adianta.

E sem minhas preces atendidas, diante de tão mágico olhar, rendido, indefeso, tentando de todas as formas me esquivar, mais uma vez deixei que meus sonhos sucumbissem ante minha covardia.

E mais uma vez, carrego meus sonhos, sem realizá-los, também sem deles acordar.

Mas o olhar vai comigo, em meus pensamentos, em minha memória, iluminando cada momento de meus dias, de meus sonhos.

quinta-feira, 14 de junho de 2007

A Realidade e minhas lembranças

Caminhava por uma das estreitas ruas do centro de Curitiba. Duas da manhã de uma madrugada cinzenta e um tanto fria.
Os vapores etílicos já dominavam meus pensamentos e minha visão. Pensava em ir para casa, ao menos essa foi a desculpa pela qual deixei todos naquela mesa repleta de garrafas cheias e vazias, de todas as coisas, de todos os loucos.
Agora, o ar da madrugada vem a restabelecer o meu instinto sedento por álcool, pela boemia, pela noite em todas as suas cores e tons.
De um lado, mais uma daquelas turmas reunidas para a alienação ao som batido e repetido dos computadores que substituem artistas e poetas, em locais obscuros que abrigam os que buscam esconder sua sexualidade não aceita pela hipocrisia de toda a sociedade, mas sem abrir mão de exercê-la.
Odeio tais lugares. Não pela presença dos que possuem tal orientação sexual, mas principalmente pela música. E também por ter que explicar a todo instante que não estou procurando algum parceiro do mesmo sexo.
De outro lado, um grupo formado por prostitutas, traficantes e viciados. Esse povo é legal, mas não aceitam muito bem quem chega sem gastar e sem ser apresentado. E hoje não quero drogas, nem sexo pago. Só quero beber e falar. Só quero beber. Mas não com aqueles que se dizem meus amigos. Estou cansado da mesmice e da mediocridade.
Olho em frente. A ladeira que subo não apresenta nada do que já foi essa cidade. Cadê o bar? Cadê o clássico e humilde bar de minha cidade? O bar da meia pinga, do guaco, da losna, do roll-mops? Parece que a cidade de Leminski está sendo enterrada por essa juventude do consumo enlatado, da moda televisiva, da “long neck” com limão.
Mais alguns passos entre figuras de preto, homens de maquiagem pesada, moleques contando vantagem de coisas que nem sonharam em fazer. Uma imagem familiar. Umas prateleiras de bar repletas de garrafas de cachaça e coisas do gênero. No balcão, alguns potes de conserva. Mas parecem estar lá apenas como enfeite, já que não há nada dentro deles. Dentro, em frente, em volta, figuras que falam em inconformismo e rebeldia. Mas acham que rebeldia é usar roupa preta e ficar sem tomar banho. Ao menos o cheiro me lembra as conservas que faltam no bar. A menina no canto do balcão tem cheiro de roll-mops, acho que vou cantá-la. O cara contando uma nova versão da vida do Raul Seixas, ao meu lado, tem cheiro de vina em conserva com pepino azedo. Tem alguém com cheiro de ovo colorido, acho que é o dono do bar.
Peço uma cachaça de guaco. Não tem. Então olho, procuro alguma outra erva conhecida. Mas de erva conhecida, só os baseados que rolam de mão em mão, ainda apagados. Então peço um daqueles conhaques de “borracha”, presidente, dreher, qualquer coisa. E uma cerveja, claro. O copo veio engordurado. Ao menos uma boa coisa.
Vou bebendo quieto, como só em Curitiba é possível. Como isso é bom. Mas sempre prestando atenção em tudo o que acontece ao meu redor. Tem uma moça que está revoltada porque o pai cortou-lhe a mesada depois que ela deixou de tomar banho. Que pai cruel. Outro rapaz está programando espancar o patrão se ele não lhe pagar o salário de quatro meses atrás, porque os bares não querem mais vender fiado pra ele.
Uma figura estranha aproxima-se de mim. Pergunta-me se tenho fogo. Lhe olho de cima a baixo, ou de baixo a cima, não me lembro ao certo. Notei que a figura estranha parecia tomar banho diariamente, não estava de preto, não tinha adereços pendurados no corpo além dos brincos, possuía um corpo muito bonito, o rosto idem. Não pensei em outra reação:
- Ô!
Ela sorriu-me.
Devolvi o sorriso.
Ela baixou a cabeça.
Perguntei seu nome.
Ela respondeu-me.
Eu me esqueci no ato.
Ela levou o cigarro à boca novamente.
Eu o acendi.
Ela disse “tchau”.
Eu respondi.
Ela virou-se e voltou para uma mesa cheia de figuras típicas do local.
Virei novamente em direção ao balcão e continuei com meu conhaque vagabundo, a cerveja em copo engordurado e a nova versão sobre a vida do Raul.
Cadê minha Curitiba perdida?

As "Emoções"

Emoções. Que entidade mística é essa?
Não conheço emoções, conheço o amor, o ódio e os derivados de ambos, não essa abstração de “emoções”.
Procuro pelo primeiro, me esquivo do segundo.
Mas na proteção que busco, acabo por desviar de ambos.
Nem amado, nem odiado. Não me entrego, nem me revelo.
E na razão me refugio, imaginando que um dia, talvez por mágica, quebre-se o casco.
E até lá, permaneço sem o sono, na insônia, carregando meus sonhos.

A Arte Revolucionária de Amar

Falar de amor todos falam, mas saber amar, saber encontrar e entender o amor, parece algo cada vez mais distante de nosso mundo.

“Eu te amo”, logo após o primeiro beijo naquela pessoa a quem no máximo se dedicava um ou outro olhar, puro instinto da atração física. Esse é o amor de hoje, o fast love.

A sedução, não vejo mais. O carinho, o olhar terno, o beijo apaixonado e sincero, a carícia involuntária, o olhar distante, levando a mente ao olhar iluminado dela... ... isso não mais nos pertence, não mais nos é próprio, não mais nos causa orgulho.

E a vergonha de falar de amor, a necessidade do consumo rápido e volumoso, em quantidades crescentes e infinitas, num verdadeiro jogo, numa disputa, por demonstrar a superior capacidade de consumo, também nesse mercado, nos retira o que de mais caro existe na condição humana.

Estamos perdendo a capacidade poética de amar.

E o mercado do amor rápido e descartável é exigente. No jogo da oferta e demanda, a solidão derruba seu valor de mercado, pela valorização do produto, vale até o amor promocional, dado em quantia inferior, por curtíssimo período, apenas para garantir preço futuro.

Amar tornou-se um ato dos revolucionários, dos que não se conformam com a crueldade da realidade, que buscam nos sonhos a inspiração para a transformação daquilo que os cerca. Amar, o amor verdadeiro, tornou-se um grito de protesto e inconformismo, contra a realidade da superficialidade de uma falsa representação da alma humana.

Um ato não, uma arte, em toda a sua sutileza singela, em toda a sua magnífica beleza. A arte revolucionária de amar!